A morte do Animal

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A morte do Animal

Mensagem por CChris em Dom 21 Set 2014, 06:54

O tempo de fim de verão, tem estado altamente descontrolado, este ano. Ora faz chuva, ora faz sol. De manha faz frio, a tarde faz calor. Ora está humidade, ora está seco. Os Deuses parecem não se decidir quanto aquilo que querem. Parece que a indecisão e a duvida não é apenas um defeito humano. Parece que os humanos não são os únicos seres “imperfeitos”. Nem a própria perfeição é perfeita, por isso, como poderiam as copias da perfeição o ser?

Estamos de novo no armazém onde Diogo Lourenço treinou pela ultima vez. O ambiente continuava a ser imundo, com bastante lixo no chão, os vidros partidos e bastantes ferros soltos. A única diferença, desta vez, é que havia uma poltrona vermelha no meio do espaço. Sentada na poltrona, estava uma criança, do sexo masculino, com não mais que os seus nove anos. Ele estava vestido com um robe branco que lhe cobria todo o corpo e ainda a parte de cima da cabeça, deixando apenas a sua cara a vista.

Criança: Eu sou o Ontem. Eu sou o Hoje. Eu sou o Amanha. Eu sou o Bem. Eu sou o Mal. Eu sou o Puro. Eu sou o Corrompido. Eu sou o Novo e o Velho. Eu sou o Limpo e o Sujo. Eu sou o Anjo… e sou o Demónio!

De repente, o ambiente começa a ficar mais escuro e a chuva começa a cair lá fora. Alguns relâmpagos começam a cair e a cena começa a ficar meio bizarra.

Criança: Grande nuvens carregadas de desgraça e miséria pairam no ar… elas estão a chegar para inundar os povos primitivos com mentes básicas e sub-desenvolvidas. Um enorme véu de ignorância vai ser queimado pelos trovões, fazendo com que toda esta ridícula população ao qual se auto-intitulam de “humanidade”, veja por fim que não passam de seres frágeis e irrelevantes.

Gotas da chuva começam a cair dentro do armazém, mostrando o estado de podrefação em que este estava, mas a criança, ignorando esse facto, continua.

Criança: A hora do julgamento está a se aproximar… todos iremos ser julgados por Aquele que o poder detêm. Muitos foram os pecadores que tentaram impedi-Lo de chegar ao seu fado, mas todos aqueles que se opuserem ao Senhor, serão violentamente castigados. Quando o Céu cair sobre eles, eles irão lembrar o nome de… Diogo Lourenço!

Um riso sádico começa a entoar pelas paredes do armazém. O riso difere de tons, indo desde o muito fino ao muito grave. Um trovão bastante forte parece cair perto do local onde o vídeo está a ser gravado, o que faz apagar toda a luz que ainda existia no Armazém. Durante alguns segundos, ficamos ser ver nada, sem ser ao fundo, pelas janelas, a paisagem horrifica de pinheiros a dançar ao sabor do vento e da chuva.

Criança (não a vemos): Ele está a chegar… ele está… AQUI!

O riso continuava, cada vez mais forte, até que mais um trovão cai perto do local, fazendo a luz do Armazém voltar mais forte do que antes. Na poltrona vermelha que está no local, não está mais a criança, mas no seu lugar, está Diogo Lourenço, sentado desmazeladamente, com uma das pernas por cima de um dos braço da poltrona e apoiando o seu cotovelo no outro braço, fixando a sua cabeça no punho do mesmo braço do cotovelo. No mesmo momento em que a luz volta, a risa para e a única coisa que fica no ar é o seu eco e o som da chuva. Durante alguns momentos, Diogo fica a olhar para a câmara, com um sorriso na cara que parecia penetrar pela câmara, chegando diretamente aos visualizadores.

Diogo: Durante este ultimo meio ano… muitas foram as minhas tentativas de proclamar aquilo que é meu por direito. À cerca de meio ano que ando na minha jornada de conquista do meu Santo Graal, e à exatamente meio ano que essa jornada tem sido interrompida por pessoas sem fé ou escrúpulos. Eu antes, dedicava-me apenas ao objectivo do Santo Graal, sem ter que magoar os outros a minha volta. Porque o haveria de fazer? Era o meu objectivo pessoal, os outros nada tinham a ver com isso. Mas com o tempo, fui-me apercebendo que as pessoas não querem saber se os outros estão no seu canto sem quererem chatear ninguém. Durante praticamente meio ano, eu caminhei este caminho com o mesmo pensamento. “Eu vou chegar lá pelas minhas próprias pernas, pelo caminho mais honesto que é o do esforço e da dedicação.”

Diogo muda ligeiramente a sua posição. Tira a perna de cima do braço da poltrona, colocando-a no chão e endireita-se nesta, ficando assim numa posição mais séria.

Diogo: E querem saber quem é a pessoa que mais vezes se tem posto no meu caminho para a gloria? Sabem quem é o pecador que mais vezes tem invejado tudo aquilo que tenho, por isso, tenta destruir as minhas oportunidades? Sabem!? Aquele rato chamado Arsênio Fuinha! Por mais que uma vez, tu tens me negado a oportunidade de chegar ao Ouro, Arsênio. Por mais que uma vez, tu impediste-me de agarrar no Sol e doma-lo. E sabes porque? Porque tu invejas-me, Arsênio! Tu invejas-me e tudo aquilo que eu já conquistei com a minha jovem idade, mas com uma incrível mente! Ao contrario de ti que, a única coisa que “conquistou” foi a irritação de alguém como eu!

Diogo levanta-se da poltrona e começa a andar bastante devagar em direção a câmara.

Diogo: Eu era um ser puro, Arsênio. Mas tu tornaste-me agressivo e violento. Graças a toda a frustração pela qual eu passei no passado graças a ti, hoje eu sou uma besta que apenas quer impingir o mal nos outros. Fisicamente, ou… psicologicamente!

A Câmara roda e foca uma das paredes do Armazém. Neste podemos ver um animal pregado a esta, coberto de sangue e violentamente brutalizado. Conseguimos perceber que este animal é um Fuinha. Este está pregado a parede por uma estaca de ferro.

Diogo anda em direção ao animal morto. Chegando ao pé deste, Diogo retira a estaca de ferro, fazendo com que este caia no chão.

Diogo: O teu destino vai ser este, Arsênio. Um animal indefeso que vai pagar por todo o mal que me fez!

Diogo começa a rir insanamente. No gesto bizarro, o mesmo passa a estaca de ferro, que estava coberta de sangue, pela sua boca, lambendo o sangue do animal que estava nesta. O vídeo termina com a imagem demoníaca de Diogo cheio de sangue na cara e a rir descontroladamente.
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