Sonhando sonhos de tristeza e amargura

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Sonhando sonhos de tristeza e amargura

Mensagem por CChris em Seg 25 Ago 2014, 10:02

[CAM ON]
 
É de noite e encontramo-nos algures num jardim. A camara move-se por um caminho de pedras, um de vários que se encontram neste local. Durante a deslocação passamos por vários bancos e até uma fonte de pedra enquanto ouvi-mos alguém a falar.
 
???: Desde há um ano para cá que a Vanguarda da Luta Livre mudou imenso… mudou de presidente três vezes… as principais caras também foram mudando com o tempo. O formato “familiar” que apresentava no inicio foi alterado para um mais agressivo com o passar do tempo. O tempo muda tudo. O tempo muda o clima. O tempo muda a forma das montanhas. O tempo muda as mentalidades…
 
A camara continua percorrendo o caminho de pedra. Ao longo do monólogo conseguimos observar várias vezes fumo a entrar pela parte de baixo da imagem, indicando que a pessoa que está a segurar nesta está fumando.
 
???: Nós cresce-mos com o tempo. As nossas ideias mudam, os nossos ideais alteram-se e passamos a pensar de maneiras diferentes. Passamos a dar valor a outras coisas na vida, coisas que antes poderíamos menosprezar, hoje são o alvo da nossa atenção. Outras coisas que nós idolatrávamos no passado, hoje podem não passar de reles lixo.
 
A imagem para agora, em frente a um banco de jardim. A camara passa para as mãos de outra pessoa e vemos alguém a sair de trás da mesma. É Diogo Lourenço. O mesmo trazia uma camisa negra com uma gravata da mesma cor e umas calças de ganga cinzentas. Diogo estava fumando um cigarro que ia sensivelmente a meio. Diogo senta-se no banco de jardim e dá mais uma passa no cigarro, jogando o fumo fora logo de seguida.
 
DL: As pessoas ultimamente perguntam-me o porque desta minha mudança de atitude. As pessoas dizem que eu fiquei mais arrogante, mais agressivo, “menos bom” segundo elas. Já não sou o “modelo de determinação e coragem que era antes” ou “transformei-me num Diogo pior”.
 
Diogo ri ao acabar de dizer a ultima frase. Ele volta a dar uma passa no cigarro, ficando durante uns segundos a olhar a para ele antes de deitar o fumo fora.
 
DL: Sabem o que eu digo a essas pessoas? Bem, eu não lhes digo nada porque simplesmente as ignoro. Mas digo agora. E porque agora? Bem, porque no domingo eu apercebi-me de uma coisa. Apercebi-me que, quando estava a torturar o meu ex-mentor, Jorge Gante, que ele tornou-se uma figura fraca. Alguém que mal se aguenta nas canetas. Ele não é o Jorge Gante que conheci e certamente não é o Jorge Gante que me ensinou muitas das coisas que sei hoje. Eu não tenho “medo” de admitir que apreendi muito dele, mas fui eu que transformei esses ensinamentos em algo realmente útil. O bom aluno é aquele que recebe as bases e usas de maneira a se superiorizar ao seu mestre. E ver o Gante naquele estado lastimável fez-me ver que eu sou bem superior ao meu antigo mentor. Por isso, está na hora de eu passar conhecimentos aos meus “alunos”. E quem são eles? Todos aqueles que não fecharem os olhos para não verem o que realmente se passa, todos aqueles que não taparem os ouvidos para não ouvir as verdades e todo aquilo que não fecharem a boca para não dizerem aquilo que tem de ser dito.
 
Diogo faz uma pausa no discurso e olha bem para o meio da objectiva para que, quem visse o vídeo, tivesse a sensação de que Diogo estava a olhar bem nos seus olhos.
 
DL: A razão para eu ter mudado de atitude é muito mais complexa do que vocês possam compreender, mas vou tentar simplificar ao máximo para que vocês, pessoas ignorantes e sem capacidade intelectual, possam perceber as minhas razões. Por isso é o seguinte. Desde que vocês têm-me começado a ver como um “bom da fita”, que as coisas no meu quotidiano têm tomado rumos que não me agradam. Primeiro, ser o “good guy” nunca foi algo que eu tenta-se, porque vamos admitir, alguém como eu que viveu uma vida de isolação, solidão e revolta nunca poderia ter atos de bondade para com as outras pessoas. E a verdade, é que eu nunca os tive. Eu nunca fui bom para alguém. Mas vocês, fãs, acharam por bem começar a aplaudir-me. Acharam que, de alguma forma, eu tinha visto “a luz ao fundo do túnel” a que finalmente tinha “aberto os olhos”. Não, não sou eu que preciso de abrir os olhos…
 
Diogo faz uma pausa no seu discurso, rindo um pouco enquanto diz a ultima frase.
 
DL: Vocês é que precisam de abrir os olhos para verem tudo aquilo que se passa a vossa volta. Vocês gostam de ver sempre as coisas pelo lado positivo, gostam de sonhar acordados, gostam de pensar que tudo tem um final feliz. Pois bem, deixem-me dizer-vos algo. Deixem-me dizer-vos que a vida não tem um final feliz para ninguém. A vida é apenas… umas férias que a morte nos dá. Mas, assim que essas férias acabam, temos que voltar a sofrer internamente. Eu apercebi-me disso à mais ou menos um ano atras. O meu tio morreu quando eu ingressei na VLL e, aquilo que pareceu o inicio de um sonho, tornou-se no pior pesadelo da minha vida. Um ano passou desde então e, no dia dos meus anos, que foi no dia 13, mas nenhum de vocês quis saber. No meu dia de anos, eu comecei a pensar e, a pensar e a pensar.
 
Diogo levanta-se do banco com agressividade, este apenas não caiu porque, estava preso ao chão.
 
DL: Eu comecei a pensar e percebi uma coisa. Toda aquela euforia minha de fazer anos e de ser uma data especial, não era nada mais que um sonho. Não era nada mais que uma ilusão que a humanidade tinha criado para distrair a sociedade de todos os seus problemas. Uma ilusão entre muitas. E eu comecei a pensar que mais ilusões a sociedade tinha criado para desviar as atenções dos problemas da vida. O Natal é uma delas, uma data estupida que até certos pseudo-ateus a comemoram. O nascimento de uma personagem de um livro é feriado mundial? A humanidade está perdida a muito. Hoje em dia, basta uma imagem com gatinhos para todos ficarem felizes e esquecerem tudo e todos.
 
DL: A realidade, é que enquanto vocês vivem dentro dessas ilusões, vocês não passam mais que sonhadores, pessoas que desviam a atenção dos verdadeiros problemas da vida e evitam-nos ao máximo. Eu considero-me um “Acordado”. Alguém que recusa sonhar, porque, os sonhos apenas trazem ilusão. Eu prefiro agarrar o touro pelos cornos do que convencer-me a mim próprio que ele nunca virá na minha direcção e que apenas vai atingir os outros. Eu refuso-me a ter que sofrer por ignorar os problemas. Apenas os fracos fogem dos seus problemas. Pessoas como vocês. E já que estamos a falar de fracos, vamos falar de Ricardo Corvo.
 
Diogo vai ao seu bolso, tirando o maço de tabaco. De lá, tira um dos seus chesters azuis e acende-o.
 
DL: O Corvo esconde-se por detrás de um legado fictício que o pai supostamente teve. A verdade, é que o Pai falhou, sempre foi o miúdo com grande potencial mas que nunca consegui-o dar “o salto”. E o mesmo vai acontecer com o filho. E porque? Porque teve uma figura parental fraca e de falhanço. O Sr. Fernando Corvo foi o perfeito exemplo de como não se deve tentar ter sucesso no mundo do wrestling. O pior, é que o Ricardo herdou os genes do pai e está destinado a percorrer o mesmo caminho. Já eu…
 
Diogo levanta os braços, esticando-os paralelamente ao chão e perpendicularmente ao seu corpo.
 
DL: Eu sou o filho de ninguém, o primeiro da minha linhagem. Eu tenho tudo para atingir o sucesso pois não tenho antecessores que me possam passar os seus genes fracos. Sou livre de qualquer tipo de falhanço. Eu sou a definição de ser superior. Sou um rejeitado da sociedade por dizer aquilo que ninguém quer ouvir. Nem deus me quer ao seu lado, por isso, cai dos seus e aterrei aqui, na Vanguarda da Luta Livre, como o “Anjo Caído”, que irá trazer a verdade aos olhos de todos!
 
A imagem desvanece enquanto Diogo fuma o seu cigarro.
 

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