WEBSHOW #5 - LUGAR CATIVO (06/09/13)

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WEBSHOW #5 - LUGAR CATIVO (06/09/13)

Mensagem por vlladmin em Sab 07 Set 2013, 01:16

*****


A imagem foca o pavilhão da Academia Nacional de Wrestling onde hoje a Vanguarda da Luta Livre apresenta o seu webshow, Lugar Cativo! Algumas pessoas distribuem-se pela cadeiras dispostas à volta do ringue, uma pequena grade separa o público da zona de ação. Não temos mais de duzentas pessoas a assistir ao evento.

No entanto temos fãs bastante interessados no que irá acontecer, visto que se manifestam com cartazes e cânticos, enquanto a imagem continua a foca-los denotamos que o pavilhão está bastante arrumado. Uma cortina separa o balneário do acesso ao ringue, onde por cima da mesma vemos o logo da VLL.


Eduardo Santos: Bem-vindos à nova casa dos webshows da VLL! A Academia Nacional de Wrestling empresta o pavilhão para tratarmos do Lugar Cativo a partir de agora. Pequena audiência hoje, mas entusiasmada! O meu nome é Eduardo Santos e ao meu lado tenho o novo comentador da VLL… João Barbosa!

A imagem foca a mesa de comentadores que fica colada ao ringue.

João Barbosa: É um prazer estar aqui ao lado de um homem tão importante no wrestling nacional como o Eduardo Santos!

Eduardo: Ora essa! Acima de tudo sei que és um fã da VLL João e que terminaste o curso de Ciências da Comunicação no ISMAI este ano. Queres falar mais um pouco sobre ti?

João: Não há muito a dizer. Adoro a modalidade acima de tudo e estou grato por esta oportunidade!

Eduardo: Antes de passarmos ao primeiro combate é preciso salientar o excelente evento que tivemos na semana passada!

João: É verdade. Jorge Gante venceu Gonçalo Ferraz e segue com impacto para o combate com Soares. Aliás teremos Soares mais logo!

Eduardo: Mas o que há de melhor a reter é sem dúvida a luta da ADW contra a VLL. Tudo irá culminar com o Colisão, dia 15 de Setembro, mas espero sem dúvida que não tenha de me dirigir a partir daí como um comentador da ADW!

Eduardo começa a rir e João acompanha-o na gargalhada.

João: Sem dúvida. Lucas Brandão parece um pouco voltado contra os seus lutadores, mas acima de tudo ele ama a federação! Isso não podemos negar.

Eduardo: Kevin Gunn ter entrado na ADW surpreendeu-me. Veremos o que o mesmo faz… juntamente com Jack Neville que também irá combater!

João: Infelizmente ele foi embora da VLL, mas vai ser interessante!

*Toca a música Teacher Leave The Kids Alone, faixa de Arsénio Fuínha*

Joana Amaral: Senhoras e senhores… o combate seguinte encontra-se marcado para uma derrota! O primeiro a caminho do ringue vindo de Alfama, pesando 91kgs… Arsénio Fuínha!

Eduardo: Temos ouvido falar deste jovem nas redes sociais e no youtube. Mas será a primeira vez que o vamos ver em combate digamos assim.

João: Uma coisa é certa, ele paleio tem. Vimos pela entrevista de Pedro Lombarda.

A imagem foca Arsénio a olhar fixamente para o ringue depois olha para o público, com alguma indiferença, entra na zona de combate e espera pelo seu adversário.

Eduardo: Parece que já temos para aqui alguns jovens que não gostam dele.

*Toca a música Impele A Tua Própria Canoa, faixa de Toni Queijadas*

Joana Amaral: E o seu adversário. Vindo de Amareleja, Beja… pesando 53 kgs… Toni Queijadas!

João: Este Toni é sem dúvida um lutador peculiar.

Eduardo: A quem o dizes. É sem dúvida o lutador mais mal preparado que já vi.

João: Dizem que ele tem um grande coração…

Eduardo: Isso não deve servir de muito…

*Soa a campainha*

-> David Peralta é o árbitro destacado para o combate.
-> Arsénio olha Toni de cima abaixo, acabando a sorrir, pela figura que o seu adversário faz. Mas Toni num esforço bastante corajoso atira-se para cima de Arsénio. No entanto o jovem “vigarista” facilmente se desembrulha de Toni pega nele e Suplex!
-> Toni deixa-se cair depois num Leg Drop. O público apupa-o enquanto Toni se encontra já mal tratado.
-> Arsénio levanta o escuteiro e “Sumário”. High Impact Elbow Smash.
-> Cover… 1…2…3… Podíamos ficar aqui a noite toda.

Joana Amaral: O vencedor deste combate… Arsénio Fuínha.

João: E esta hein? Que vitória...

Eduardo: Nada mau para dois novatos, mas vamos passar a imagens gravadas por parte de um dos mais misteriosos e imponentes contratados desta federação...

*****


A câmara foca um cenário preto. A pouca claridade permite apenas ao olho nu captar a imagem duma parede vermelha com falhas na pintura, porventura desgastada e decrépita. Num crescendo de intensidade vão-se ouvindo ruídos perturbadores. Uma mulher ofegante que grita sem cessar, lutando contra os seus maiores fantasmas. Passam-se os segundos e os gritos vão aumentando de intensidade, é cenário lúgubre. Suspiro imenso e, por fim, ultimam-se as manifestações de sofrimento do ser.

Vindo do lado esquerdo da imagem aparece Shotgun Eddy. Este denota um aspeto notoriamente fora do comum. Barba por fazer, corrente ao pescoço a servir de acessório, talvez estrangulando lentamente o americano. Cabelo negro e longo com pormenores vermelhos, tapando o olho esquerdo e dando um aspeto sinistro ao maníaco. Malha negra e larga, como as suas calças, dando-lhe um aspeto relaxado. Talvez demais.


Shotgun Eddy: Ramerrame.

Eddy começa a rir-se de forma doentia, abaixando-se e ficando de cócoras.

Eddy:  Acabaram-se os devaneios. Acordem para mim, a vossa realidade maníaca e perturbadora. A verdade dói, cada vez mais. Na Vanguarda da Luta Livre essa verdade será infligida de forma impiedosa. Será ramerrame, costume. Indignados perante o omnipresente olharão para cima a rezar pelo perdão. Eu, lá em cima, cuspirei na indulgência.

Eddy acende um cigarro e vai fumando, deitando as cinzas sobre o seu braço.

Eddy: Dor ficcional, sensação orgásmica. Mas eu, aviso-vos, sou bem real...

Fumando o seu cigarro sem pressa, num estado relaxado, acaba por apagá-lo no seu braço direito. Com uma gargalhada doentia levanta-se e desliga a câmara, demostrando um olhar vidrado e perturbador.

*****

Na zona de entrevistas encontramos Zé Maravilha já pronto para falar com Prodígio Santos que como habitual usa o seu "cap", uma t-shirt larga e calções mais largos ainda

Zé Maravilha: Bem Prodígio, hoje pelos vistos vais ficar nas linhas de fora sem combate não achas isso um pouco injusto?

Prodígio Santos: Please mano, eu na semana passada marquei impacto, é óbvio que vai haver semanas em que não posso participar em battles, tem de se dar lugar aos outros tolos também.

Zé maravilha olha para ele com um ar um pouco confuso.

Prodígio Santos: O que realmente interessa é que eu sou um grande rapper, uma grande estrela e um grande lutador...E creio definitivamente que todos lá atrás já repararam nisso, e já me temem minimamente, porque onde eu vou, eu marco impacto.

Prodígio sorri para Zé com um sorriso a modos que arrogante.

Maravilha: Bem, acho que é tudo não sei bem o que dizer...

Prodígio: Que sou o melhor aqui? Eu sei tropa, obrigado...

*****

Eduardo: Vamos então agora para o combate de um homem que causou bastante polêmica mas que foi agora sujeito a serem-lhe retiradas regalias pelo seu comportamento, Carlos Levante.

João: Eu acho que isto apenas o vai deixar mais enervado ao ver regalias desaparecer assim...Afinal de contas, desde o inicio que o que ele queria era tempo de antena.

Eduardo: Tempo de antena aqui ganha-se!

*Toca a música Where is my mind, faixa de Carlos Levante*

Eduardo: Espero um combate bem rápido com uma vitória clara para Carlos Levante.

João: Acho que é óbvio!

Flashboy já está no ringue e olha para Carlos Levante que se limita a dar a volta ao ringue e pegar numa cadeira.

João: Mas o que é que ele está a fazer?

Eduardo: É maluco, não bastam as penalizações que ele teve? Isto é insano!

Carlos entra no ringue com um ar sério e calmo caminhando para Flashboy que tenta defender-se mas acaba por levar uma cadeirada na cabeça deixando-o estendido no chão, toca a campainha para mostrar que Carlos está desclassificado e este continua a bater em Flashboy até estar satisfeito.

Eduardo: Alguém que pare isto!

Carlos vai lá fora pegar num microfone, entra de novo no ringue, aponta para o micro e sorri maquiavelicamente antes de começar a falar.

Carlos: Olá, olá fãs da VLL. O senhor Lucas Brandão e o senhor Américo acharam mesmo que me calariam! Quão enganados estavam. Infelizmente para eles espero que eles entendam que eu estou acima da corrupção, ganância e mediocridade desta empresa. Espero que eles entendam que nada podem fazer contra mim, pois eu dito o meu futuro e eu tenho segurança neste microfone e sei que nada me podem fazer hoje! Em primeiro nenhum deles está cá hoje, infelizmente, sei isso melhor que ninguém.

Carlos mastiga uma pastilha e coça a barba um pouco antes de continuar.

Carlos: Isto dos Webshows, julgam que não sei que é o plano secundário? Sei melhor que ninguém. Julgam que não sei que me deitam abaixo por ser honesto e dão a minha posição a pessoas como o Gante?

Carlos olha para a câmara e ri-se alto a acenar com uma mão.

Carlos: E o pior foi que quando entrei aqui vi pelo menos três ou quatro rapazes que deviam estar a brilhar no Main Show e não a lamber chão numa espelunca destas. Isso entristece-me! Mas mais numa de vos responder ás perguntas, não, isto não é combinado, isto não é um segmento planeado para causar controvérsia, isto sou eu, e vocês, fãs, a chegar a uma conclusão. E não! Ninguém me irá parar porque a segurança está hoje no meu bolso. E eu explico porquê! Senhor Lucas, Senhor Amorim, quando vocês julgam estar um passo á frente, eu já estou sete! E na verdade, o único oficial de relevância hoje na arena, sempre esteve do meu lado.

Carlos estica o braço e aponta para a entrada de onde sai Emily Cruz com uma roupa mais casual e um sorriso na cara. Ao chegar ao ringue acena para a câmera com um ar um pouco gozão.

Carlos: Ela nunca foi vossa! Foi sempre minha, e dá-me pena pensar que não vou ver a vossa cara quando vocês hoje perderem mais dois dos únicos membros de qualidade desta federação! Não, não falo de mim e da Emily, falo de mim e de outro individuo. A Emily tem a sua qualidade mas não é nisto.

Carlos olha para Emily e soletra claramente "desculpa".

Carlos: Chamo uma pessoa que teve tudo e foi renegada por não lamber botas, uma pessoa que foi atirada ás catacumbas do esquecimento. Mas eu, não esqueci, eu estiquei-lhe a mão e dou-lhe hipótese de um futuro brilhante longe disto!

Nisto toca a faixa "The Name of the Game de The Crystal Method" e quem entra ao som desta track é nada mais nada menos que Straight Johny! Com uma faixa bem mais agressiva e um olhar determinado o homem parece andar normalmente demonstrando que a lesão nunca existiu. Pede o micro a Carlos Levante que prontamente lho oferece.

Straight Johny: O meu nome não é Straight Johny, o meu nome, é João Silva! Eu não sou uma marca de detergente barata que podem vender com um rótulo e depois descartar! O Carlos aqui abriu-me os olhos para muita coisa, uma delas, é que estou farto deste sítio! Estou farto do staff, estou farto de grande quantidade daqueles pseudo lutadores bajuladores lá atrás, e estou farto deste tipo de negócio em que se tem uma mascote nova um ou dois meses e depois enterra-se no quintal como se fosse um rato morto! Estou farto e não vou mais aturar isso! Eu fui campeão de Tag Team, eu fui campeão Supremo! E onde estou agora? A ajudar a dar luz aos tipos que nem no Main Event estão! Lucas Brandão e Américo Amorim assassinaram o amor que tinha por este desporto, sim desporto, tal como o Carlos não lhe vou chamar de negócio, acho que já negociamos o suficiente! Tanto eu como este homem estamos oficialmente fora desta empresa.

Emily Cruz rouba-lhe o micro.

Emily: Eu sou pessoa também! E também me demito.

Emily ri-se inocentemente mas é de súbito interrompida *Toca Morning Glory, música de Kevin Gunn*

Surgem de súbito Kevin Gunn e Jack Neville na rampa de entrada para o ringue, ambos com camisolas da ADW. Ambos caminham seriamente para o ringue com o olhar fixo em Carlos Levante e Straight Johny que desconfiam das intenções do Britânico e do seu Manager. Kevin Gunn e Jack Neville entretanto entram no ringue e o Razorblade pede um microfone. Ao pegar no mesmo ele olha seriamente para a cobertura do microfone com o símbolo da Vanguarda da Luta Livre e retira-o atirando-o para fora do ringue.

Kevin Gunn: Cavalheiros. Belo discurso. Ouvi atentamente o que disseram... E devo-vos dizer que...

Kevin Gunn pede a Jack Neville para segurar o Microfone enquanto retira a camisola da ADW. Kevin Gunn dá algumas instruções a Jack Neville que vai debaixo do ringue buscar um caixote do lixo tipicamente usado em combates sem disqualificação. Kevin Gunn olha para a camisola da ADW sorrindo e falando para Jack que coloca o caixote no centro do ringue. Kevin Gunn tira um isqueiro zipper, começa a incendiar a camisola e de súbito atira a camisola para o caixote do lixo.

Kevin Gunn pega novamente no microfone perante a satisfação do seu manager que lhe dá o seu apoio.

Kevin Gunn: Onde ia eu? Ah sim. Devo-vos dizer que estou completamente de acordo. Surpreendidos?

A plateia fica confusa.

Kevin Gunn: VLL. ADW. Como se diz em Portugal... As moscas mudam... Mas aquilo que vocês sabem é a mesma. Kevin Gunn é maior que qualquer VLL ou que qualquer ADW. Kevin Gunn é maior que qualquer Remédios ou Brandão. Aliás. Kevin Gunn é maior que qualquer milionário de cortiça de um país de terceiro mundo. Como é sabido, tinha pretensões de sair daqui já há semanas. Apenas adiei isso para ter um combate fantástico contra Ricardo Soares que pelos vistos, também está de saída... E se ele está a ouvir isto, Ricardo foi um dos melhores combates da minha carreira, foi um prazer. Espero um dia ter uma desforra num sítio melhor sem ter de me preocupar com arbitragens tendenciosas ou outras decisões empresariais boas para a Vanguarda da Luta Livre e para os hipócritas e engraxadores que orbitam à volta dela.

Kevin Gunn com um olhar sério leva o microfone a vai para perto do cameraman que está no canto do ringue.

Kevin Gunn: Esta federação nunca mais irá ver Kevin Gunn. Estou aqui para informar toda a gente que os meus advogados e o meu manager estão a tratar da minha rescisão contratual que provavelmente me será favorável. E caso não seja, prefiro pagar indemnizações do que por aqui os pés neste ringue outra vez. Soube então, que o vosso adorado General Manager Lucas Brandão com o aval de Américo Amorim estão a pensar recriar algo que já aconteceu no Wrestling Americano. Criar um falso Kevin Gunn e um falso Jack Neville para perderem o combate dia quinze... E talvez outros.

Kevin Gunn sorri.

Kevin Gunn: Pois, fiquem então sabendo que esta é a gente que manda nisto. Este é o profissionalismo e a ética de quem vocês enchem os bolsos semana sim, semana não. Eu sou um atleta e o meu lugar é num ringue onde posso dar o meu melhor todos os dias e mostrar o porque de eu ser quem digo que sou, o melhor lutador puro de Wrestling neste país. Portanto, apreciem o Fake Kevin Gunn wanna be dia quinze e a história triste a copiar o Wrestling Americano porque o verdadeiro Kevin Gunn e o seu grande Manager estão de saída e para nunca mais voltar a esta espelunca. Se aqui não apreciam o meu talento e se não me dão as oportunidades que mereço... Encontrarei um sítio onde tal aconteça. Adeus Vanguarda da Luta Livre, até nunca mais, Kevin Gunn demite-se com efeitos imediatos.

Kevin Gunn cumprimenta Carlos Levante e João Silva e os três lutadores e dois managers abandonam pela rampa rindo-se e acenando adeus. Carlos Levante faz um sinal de dedos e a track "Name of the Game" volta a tocar.

*****

João: Não sei o que acabou de se passar....Estou...Perplexo! Eles acabaram de se demitir todos?

Eduardo: Pelos vistos, eu estou completamente apagado da minha mente agora!

Roda um vídeo de Yuri Petrov em que o mesmo está a treinar intensamente ao som da sua música de entrada. Pontapeando e soqueando um saco de boxe o mesmo olha para a câmera abraçando com um braço o saco e sorri com um ar calculista enquanto no ecrã aparecem as palavras "HOJE NO LUGAR CATIVO"

*****

Aparecem imagens dos corredores da academia e uma jovem bem corpeada e com aspeto de quem treina arduamente aparece com um ar dominante enquanto fala para a câmera.

Catarina Albuquerque: O meu nome, é Catarina Albuquerque! Sou a primeira lutadora oficial da VLL e espero que saibam que não vou desiludir nenhuma das mulheres lá fora. Quero que sejamos representadas tão bem como os homens o são e acho que tenho potencial para isso. Treinei arduamente para chegar aqui hoje e não vou deixar em baixo quem tanto me apoiou.

Catarina Albuquerque faz um leve aceno com a cabeça.

Catarina: Esperem o melhor e esqueçam o pior, as perspectivas são, que esta lutadora...vai dominar!

*****

João: Palavras fortes da primeira lutadora feminina oficial da VLL.

Eduardo: é verdade, mas, mas o que é isto?

Ambos olham para o ecrã onde parece estar a haver problemas no backstage.

Tommy Brooks e Arsénio Fuínha miram-se um ao outro intensamente e Brooks empurra Arsénio.

Tommy: Com quem achas que te estás a meter? Não voltas a dar-me um encontrão assim, muito menos vais-te embora como se não fosse nada a rir-te, já ando meio farto destas tuas brincadeiras.

Arsénio: Ui, o que é que vais fazer? Vais-me bater? Gostava de ver isso! Deves ter a mania que és grande!

Nisto Carlos Levante, João Silva e Gunn passam pelo corredor de malas ás costas e empurram ambos os lutadores.

João Silva: Fora do caminho, queremos passar, não aguento mais andar por aqui.

Tommy Brooks e Arsénio ficam a ver os lutadores sair e mal eles desaparecem começam aos encontrões e a mandar vir um com o outro de novo.

João: Não temos descanso hoje companheiro...

Eduardo: É hoje não nos largam, mas felizmente vamos já para o Main Event da noite! E está cá hoje um homem que vale muito, orgulho em tê-lo no nosso modesto ringue! Yuri Petrov!

João: É verdade, vamos a isto!

*****

*Toca a música Get Lucky, faixa de Valentim Pacheco*

Joana Amaral: Senhoras e senhores… o combate seguinte encontra-se marcado para uma derrota! O primeiro a caminho do ringue vindo de Almada, pesando 85kgs… Valentim Pacheco!

Valentim cumprimenta as pessoas na rampa antes de entrar no ringue e fazer a sua pose de dançarino.

*Toca a música Katiuska, faixa de Yuri Petrov*

Joana Amaral: E o seu adversário. Vindo de São Petersburgo, Rússia... pesando 135 kgs… Yuri Petrov!

João: Acredito na vitória de Yuri.

Eduardo: Isso não se coloca em questão, quero é ver como o jovem Valentim se safa e se mostra algum talento!

Yuri entra calmamente até ao ringue mas focado no seu adversário, ambos se cumprimentam antes de o combate começar

*Soa a campainha*

-> Ambos os lutadores já se encontram no ringue e iniciam o combate com um grapple.
-> Yuri Petrov ganha facilmente o grapple e começa a distribuir uma série de murros em Valentim Pacheco...
-> Claramente a diferença de tamanhos e de peso a sperar estes dois lutadores... Clothesline e Leg Drop de Yuri Petrov. Cover 1...2...
-> Valentim Pacheco levanta-se combalido e tenta ripostar a Yuri Petrov com alguns socos. O Russo dá-lhe uma joelhada na barriga!
-> Petrov vai tentar algo... Spinning Heel Kick do nada de Valentim Pacheco!
-> Valentim Pacheco vai ao turnbuckle, Petrov está tonto no chão e vai-se tentando levantar..
-> Moonsault de Pacheco! Petrov em apuros! 1..2.......Safa-se! Pacheco não quer acreditar e aplica de imediato um DDT!
-> Pacheco vai novamente as cordas e diz que é o fim! Foxy Show! Petrov desvia-se!
-> Petrov agarra em Pacheco e aplica a Bigorna! Este combate acabou! 1...2....3!

Joana Amaral: O vencedor deste combate… Yuri Petrov.

Eduardo: Era de esperar, mas o jovem não esteve nada mal.

João: é verdade, Valentim aguentou-se o melhor que pode contra um homem que tem vindo a dominar nos últimos tempos, um bom combate!

Eduardo: Pois é pessoal, e é tudo por esta semana, antes de irmos ficamos com o que nos parece uma breve mensagem de Ricardo Soares, por isso, portem-se bem, e até para a semana.

João: Foi um prazer estar cá hoje, até para a semana!

*****

Ricardo Soares surge na imagem sentado numa poltrona, curvado para a câmara. O lutador está a ser gravado da cintura para cima, tendo uma camisola de manga curta preta e um grande sorriso estampado na cara.

Ricardo Soares: Sim, eu estou feliz. Estou feliz e não escondo isso. Estou feliz porque no próximo dia 15 eu poderei lutar por uma das coisas de que mais gosto neste mundo, que é o Wrestling. Porque, entendem, o meu combate com o Jorge Gante transcende a rivalidade pessoal que andamos a travar. Aliás, praticamente todo o evento transcende as rivalidades que têm acontecido no seio da Federação. Pelo menos eu vejo as coisas dessa maneira, pelo menos eu vejo o meu combate dessa maneira.

O veterano recosta-se na poltrona e traça a perna, colocando-se à vontade.

Ricardo Soares: A ADW é uma Federação que representa aquilo que não deveria ser a modalidade, é um inimigo que vem de fora para corroer não só a VLL, mas o Wrestling português, europeu, mundial. Os Verno? Também eles são um inimigo, mas vêm de dentro. E engane-se quem pense que estes são os menos perigosos, porque não o são. Olhem para a saúde, para o cancro, para as doenças auto-imunes. Muitas vezes o mais complicado de se combater é o mal que vem de dentro, do próprio corpo. O que fazer quando o corpo mata o próprio corpo? Os Verno são assim, bactérias que corroem a VLL por dentro. Sempre o foram. Eles são a mudança que vem de dentro, o passar da saúde para a enfermidade.

Soares volta a curvar-se e a aproximar a cara da câmara.

Ricardo Soares: Eu critiquei o Lucas no Vanguarda 22 é porque sei precisamente que são os males que vêm de dentro que são os mais perigosos. Não sei se estou certo ou não, mas tenho muito tempo nisto para ver quando há uma mau presságio, e apenas vos digo, até porque a minha despedida da VLL está próxima. Fiquem com um pé atrás em relação ao Lucas, fiquem mesmo. E caso eu desiluda, e acabe por sair derrotado no Colisão, façam tudo o que for preciso para impedir que o Gante chegue a Campeão Supremo.

Os contornos da expressão de Soares ganham um sorriso sarcástico.

Ricardo Soares: Embora eu esteja confiante que tal não venha a acontecer. Porque toda a minha vida, toda a minha carreira, foi baseada nesse princípio: “nunca desistir”. Não, enquanto for possível continuar a lutar. Quando me tornei Campeão Principal na BWF, foi contra um homem com mais vinte centímetros e cinquenta e cinco quilos de peso do que eu, uma figura imponente, uma besta que nos seis meses antes de defrontar dominou fisicamente toda a concorrência que lhe passou pela frente. Quando foi a minha vez de o enfrentar ninguém dava nada por mim, nos bastidores da BWF todos diziam que seria só mais um. Resultado? Apanhei a porrada da minha vida, saí do ringue quase sem conseguir andar, mas ganhei. Safei-me de vinte e dois assentamentos de espáduas nesse combate, para além de me ter livrado de dois Bear Hugs que acabaram com as minhas costas. Mas nem por uma vez baixei os braços, consegui a minha oportunidade, mandei-o ao chão, apliquei o Cloverleaf e consegui fazer a besta desistir. Ninguém acreditou. Sempre tive jeito para fazer coisas em que ninguém acredita.

Soares levanta um dedo da mão direita.

Ricardo Soares: Outro exemplo foi quando o meu parceiro, Billy, esteve lesionado e eu consegui manter os nossos títulos de equipas sozinho contra os Cold Hearted Bastards, os filhos da mãe mais sujos da altura. Como digo, baixar os braços nunca foi a minha coisa. E é verdade que o passado não nos define, mas mostra-nos quem somos. No Colisão será um I Quit Match e eu, mais uma vez, mostrarei quem sou. Por mim e pela modalidade.

Ricardo Soares faz uma pausa no discurso.

Ricardo Soares: Porque tenho que eu o fazer. Porque já por mais do que uma vez deixei que os Verno atingissem o Vinícius e não voltarei a deixar que tal aconteça. Se o Gante acredita que merece o Título Supremo, eu provarei o contrário, farei com que ele deixe de acreditar nisso, à força. Porque, infelizmente, este louco não vai lá com a razão. Porque eu sei que aquele que é o Campeão Principal de uma Federação é aquele que deve ser não só o epítome da Companhia, mas sim o exemplo daquilo que a modalidade verdadeiramente é. E o Vinícius representa esse papel na perfeição, é um verdadeiro campeão, chegou onde chegou sozinho, com o seu suor, com a sua luta, o seu esforço e o seu sangue. O Gante? O Gante, todo o destaque que tem tido na Federação é à pala dos Verno e das facilidades que ele tem dito na Federação desde o final da sua suspensão, mesmo que o próprio não o queira admitir. O Gante só se lembrou agora que o seu dever é realmente lutar, porque antes do combate com o Gonçalo Ferraz só falava. E mesmo no combate com o Ferraz, em que se mostrou resiliente e eu dou-lhe os parabéns por isso, lá teve uma ajuda para conseguir a vitória. O Gante, até ver, é o homem do colo. E o hipócrita.

Soares ri-se.

Ricardo Soares: Hipócrita? Hipócrita porquê? Porque todo o seu discurso é uma enorme hipocrisia. O homem que prega pela mudança, que se diz anti-hierarquias, quer o quê? Quantas vezes é que ele não tem repetido isso ultimamente? Quer o Título Supremo. Quer atingir o topo da hierarquia. Ele não é anti-hierarquias coisa nenhuma. É a favor delas, desde que quem esteja no topo seja ele. A única mudança que ele quer é essa, nada mais. E eu quero evitar a mudança, pois não quero que um hipócrita represente esta Federação que tenho defendido, porque não quero que um hipócrita represente a modalidade que sempre amei e a estrague, que lhe faça chegar a doença. E, então, não tenho outra opção a não ser a de fazer o melhor para que o Hipócrita diga algo que, para variar, não tem nenhum segundo sentido, nem nenhuma mentira: I Quit; Eu Desisto. Como preferires, é à tua escolha, Gante.

A imagem desvanece.
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